Márcio de Almeida (Bisqua)    
Enquanto alguns músicos tentam a carreira solo, outros investem na família. É o caso dos irmãos Almeida: Márcio, Alê, "Buzina" e "Fofão", que mantém dois grupos: o Sindicato do Samba e a Escola de Samba Sambrasiléia.
 
Márcio, o mais velho, conhecido como Bisqua, começou na música aos sete anos, quando viu uma banda militar e quis fazer parte do grupo. Seu primeiro instrumento foi o pistão. "Depois caí na bateria", diz ele. E da bateria para o pagode foi um passo. "Os amigos do bairro tinham cada um seu instrumento, a gente ensaiava na rua e começamos a tocar em vários clubes".
 
Mesmo tendo a música bem fundo no coração, Márcio ficava dividido entre a música e o futebol. Ele acabou optando pelo segundo, que o trouxe até a Suíça. "Eu estava jogando na Seleção Brasileira de Juniores no Japão e conheci uma suíça. Ela trouxe um vídeo meu jogando e o FCBasel se interessou", relata Márcio. Contratado pelo clube, fez 12 anos de carreira profissional e depois foi trabalhar na Publicitas. Sem o futebol, voltou a tocar.
 
Enquanto isso, no Brasil, os irmãos mais novos também se iniciavam na música, no embalo da Fundação das Artes que funcionava em São Caetano do Sul (SP), onde a família residia. Com Márcio por aqui, os outros irmãos já tinham a porta aberta para a Suíça. Alê, o mais novo, veio a convite de Márcio, para jogar futebol, enquanto "Buzina" e "Fofão" vieram por conta própria. A dupla Márcio/Alê logo começou um trabalho musical, o grupo Cambalacho, que no momento está parado porque a cantora está nos Estados Unidos. Depois, juntamente com "Fofão do Cavaco", os dois irmãos iniciaram o Sindicato do Samba, do qual participa também o "Buzina".
 
Desde dezembro de 2001 a família entrou em outro projeto: a Escola de Samba Sambrasiléia. "A idéia veio numa conversa de bar entre o Alê e eu. Nós tínhamos a escola junto com o Marcílio e saímos. Como já tínhamos uma sala no centro de Basel, pensamos: por que não começar a nossa escola?". E assim foi. Com apenas oito participantes no início, a escola tem hoje 40 e já se tornou conhecida na região. "Agora estamos trabalhando para montar nossa página na Internet" (olha ela aí!), diz Márcio, que ainda divide seu tempo como professor de percussão e baterista numa banda de rock suíça, a "Heimweh".